Verdades e inverdades sobre o futuro da indústria automobilística

22 de Setembro de 2017

Verdades e inverdades sobre o futuro da indústria automobilística

Debatedores na 8ª CONSEGURO concluem que setor de seguros acompanhará as novas tendências do setor de Auto mundial

A indústria automobilística brasileira e o setor de seguros caminham juntos há um bom tempo e deverão permanecer de mãos dadas por mais tempo ainda, apesar das previsões sobre o que pode acontecer em relação ao automóvel. Carros elétricos, autônomos e semiautônomos, entre outras tendências, até já existem, mas para se tornar uma realidade de mercado o consumidor terá que esperar um pouco.

Para o diretor de Asssuntos Institucionais da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Fred Carvalho, há uma série de verdades e inverdades no que estamos vendo, lendo e ouvindo sobre o futuro do automóvel. Durante a palestra “O Futuro da Indústria Automobilística do Brasil”, proferida no 2º Seminário de Riscos e Oportunidades Emergentes, que ocorreu em paralelo à 8ª CONSEGURO, ele ressaltou que uma série de tendências para o carro do futuro já está em pleno desenvolvimento, mas será necessário amadurecer esses projetos e encontrar soluções que ainda não estão disponíveis.

Fred Carvalho citou alguns problemas ainda não resolvidos, como , por exemplo, as baterias de lítio em quantidade suficientes para atender à demanda dos carros elétricos. Segundo ele, não existe no mundo reservas do metal suficientes para produção em série desses veículos. Além disso, o descarte dessas peças se configura em outro problema, já que uma bateria de lítio para carro pesa em torno de 600 kg e necessitaria de uma logística cara para seu descarte.

O diretor da Anfavea destacou ainda que alguns sistemas não podem simplesmente ser encerrados por conta das novas tecnologias, como o Programa do Álcool brasileiro, responsável por combustível não fóssil e muito menos poluente que os derivados de petróleo. Ele citou ainda o diesel como combustível que será usado ainda por um longo tempo antes de se chegar a uma produção significativa de carros com outras fontes de energia.

Com relação à produção brasileira, Fred Carvalho destacou que, após três anos de queda significativa, as montadoras começam a dar sinais de que estão reagindo. Houve um aumento de 25,5% da produção entre janeiro e agosto deste ano em relação a igual período do ano passado. Esse resultado foi puxado principalmente pelas exportações, que já chegaram a 745 mil veículos comercializados no exterior, um recorde na indústria brasileira automotiva em todos os tempos. Essa reação, disse ele, deverá impactar positivamente no setor de seguros que tem no segmento auto um de seus principais produtos, respondendo por cerca de 50% do faturamento no âmbito da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg).

Fred Carvalho destacou também em sua palestra que o carro tradicional, com motor movido por combustível a explosão, ainda vai durar por muito tempo, apesar dos avanços das pesquisas. O moderador do Painel, João Francisco Borges da Costa, afirmou ao iniciar o debate que muitas invenções surgiram ameaçando produtos e sistemas existentes e muitos não acabaram. Ele citou como exemplo a internet que, em seu início havia previsões do fim da TV, dos jornais e revistas e outros meios de comunicação, e isso não aconteceu. Houve na verdade uma acomodação, ao invés da substituição.

“Não é verdade que o carro elétrico se tornará um padrão de mercado de uma hora para outra”, afirmou João Francisco ressaltando as dificuldades que esses veículos ainda enfrentam para entrar numa produção em série. O vice-presidente executivo da Porto Seguro, Roberto Santos, também presente ao debate, afirmou que o setor de seguros deverá acompanhar as novas tendências da indústria automobilística mundial se adaptando a uma nova realidade conforme forem surgindo. Para o diretor geral da Bradesco Seguros, Marco Antonio Gonçalves, a produção de automóveis no Brasil terá uma recuperação rápida diante da demanda reprimida e isso terá um impacto positivo no segmento de seguros em breve.

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