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Perspectivas para o seguro cibernético

10 de Julho de 2020 - FenSeg

Entrevista com Flavio Sá, membro da Subcomissão de Linhas Financeiras da FenSeg, sobre o seguro cibernético.  Esse tipo de apólice ganha cada vez mais visibilidade e importância para as empresas, seus ambientes corporativos para segurança de dados e a sociedade de maneira geral.

1- O que explica o crescimento de 106% nos prêmios de seguro cyber, até maio de 2020?

Há muitos motivos que podem ter potencializado esses números. Podemos dizer que um destes motivos é que o fato de existirem mais pessoas trabalhando diretamente de suas casas pode ter feito com que cibercriminosos  passassem a intensificar os ataques de phishing e de engenharia social, ou seja, usando apelos urgentes para atrair cliques em links maliciosos, enganando pessoas, infectando seus dispositivos, destruindo, bloqueando, modificando e roubando informações, além de interferir na correta operação dos computadores ou das redes.

 As tentativas de golpes de ransomware, com o sequestro de dados do computador e promessa de liberação apenas com o pagamento de resgate, segundo dados da Kaspersky, empresa especializada em segurança digital, estão ligadas diretamente à adoção do home office. O crescimento dos índices de ransomware mostram que essa forma de golpe digital está se tornando mais lucrativa e eficaz. E, ao lado de tentativas de phishing, os bandidos já perceberam que o dinheiro “de verdade” está nos ataques a redes corporativas, que podem ser muito mais eficazes e destruidores do que aqueles voltados aos usuários comuns.

Neste cenário, as empresas e seus executivos estão mais preocupados em quantificar o potencial de danos cibernéticos e a transferência do risco para o mercado de seguros tem se tornado cada vez mais uma solução efetiva. Se por um lado existe o aumento da procura pelos clientes, pelo outro os corretores estão buscando a especialização no tema para melhor servir seus clientes.

2- Quais as perspectivas esperadas pelo mercado de seguro cyber para o segundo semestre? 

No segmento de riscos cibernéticos a tendência é certamente de alta. A maturidade do mercado, com a conscientização da importância da segurança virtual, os casos mais frequentes de ataques cibernéticos, e a proximidade do início de vigência da LGPD - Lei Geral de Proteção de Dados - compõem, juntos, fatores que tendem a elevar a procura pelo Seguro de Riscos Cibernéticos. Segundo o site da SUSEP, de janeiro a abril de 2020 o mercado gerou R$ 10.5 milhões em prêmios no mercado, um crescimento de 144% se comparado com o mesmo período de 2019 que apresentou R$ 4.3 milhões em prêmios. Como comparação, em 2019 o mercado movimentou R$ 21.4M de prêmios, o que demonstra a forte tendência do mercado.

A LGPD tem aumentado a preocupação das empresas  no sentido de se adaptarem o quanto antes à legislação considerando que a data para o início de sua vigência  ainda está em discussão, se ficará para 2021 ou se iniciará em 2020. As empresas com suas operações cada vez mais digitalizadas, pela situação do distanciamento social e o aumento do cenário do risco cibernético, mantem para o 2º semestre  a expectativa que a procura pelo seguro continue em alta, mesmo considerando o impacto da desaceleração econômica.

3- Com a expansão do home office, as seguradoras veem mais oportunidades de negócios? Há alguma projeção?

 Com um número maior de pessoas trabalhando em casa, os riscos inevitavelmente se tornam maiores, como mostram os números de aumento das tentativas de ataques cibernéticos. Independentemente da questão do home office, já existia uma tendência de crescimento dos sinistros, seguindo o que vem ocorrendo nos últimos anos. Com isso, a conscientização sobre a importância de ter o seguro de riscos cibernéticos também é cada vez maior. É importante lembrar que este é um produto relativamente novo no Brasil, lançado em 2012, mas com forte expansão nos últimos 2 anos somente.

Como projeção, é possível afirmar que existem mais clientes interessados, corretores se especializando e, certamente, outras seguradoras devem passar a atuar no segmento que atualmente conta com 10 seguradoras registradas para operar com esse seguro, o que é um aumento expressivo pensando que há 3 anos atrás existiam cerca de 4 ou 5 apenas. O mesmo acontece com corretores que estão cada vez mais interessados, participando das ações de treinamento a respeito do produto e também buscando informações para melhor entender as principais ameaças e preocupações cibernéticas dos seus clientes.

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